Apple

Maçãs: do pecado original à época do videophone

Hoje estava relendo um artigo superinteressante sobre a maçã: “Os Beatles, Isaac Newton, Adão e Eva e a saúde de todos nós”, mostrando-nos que esta fruta, ao longo de séculos e séculos, participa da nossa vida prática e do nosso imaginário. Foi escrito pelo Dr. Cláudio Galperin – editor da Revista Bio Nutrição e Saúde, da Nestlé, uma pessoa muito especial pelos artigos que escreve, sempre mesclados com informação e criatividade.

Um artigo ousado que, além de abordar a ênfase nutricional à qual a revista naturalmente se propõe, posiciona a maçã de modo interessante na história da humanidade desde a sua associação com o pecado original. Esclarece-nos, no entanto, que “a Bíblia não menciona o nome da fruta intocável”. A noção de que a fruta do paraíso seria a maçã surgiu muito tempo depois, provavelmente quando ela atingiu status da fruta mais comum na Europa ocidental, “abundantemente retratada por pintores da época” ou, talvez, por ter sido considerada uma fruta extremamente luxuosa pelos romanos, mais do que o reverenciado figo.

Comenta ainda sobre a história da belíssima maçã verde impressa nos selos dos discos da famosa banda britânica The Beatles, lançados pela Apple Records, em 1968 – divisão da Apple Corps Ltda, empresa criada naquele ano para substituir a Beatles Ltda, a “razão social” do grupo. Novamente os Beatles se superaram! Quando a imprensa quis saber “o porquê” da maçã verde como logotipo, Paul explicou que sempre foi fascinado pela arte moderna da primeira metade do século e que tinha uma especial admiração pela obra do pintor belga surrealista Renè Magritte, do qual adquiriu vários quadros. Um deles tinha a tal da maçã verde. Assim que a viu, Paul pensou consigo mesmo: “É ela”. Vinte anos depois, a marca criada por Paul e seus companheiros foi “recriada” pela fabricante de eletrônicos americanos Apple, empresa liderada pelo mítico Steve Jobs, que cresceu alucinado pelo videophone. Videophone? Aguarde…

Vamos primeiro falar da maçã, William Stukeley, Isaac Newton e a Royal Society de Londres. Foi algo emocionante quando esta sociedade digitalizou em seu site no início deste ano (2010) a biografia que Stukeley – médico britânico – escreveu sobre o seu “dileto amigo”, Sir Isaac Newton (1.643-1.727). Descreve-nos que, já próximo da morte do conceituado cientista, físico e matemático, tomavam chá e rememoravam o dia em que, sob a sombra de uma macieira, com apenas 20 anos de idade, num ambiente bem parecido, Newton testemunhou a queda de uma maçã.

“Ele questionou por que a maçã sempre desce perpendicularmente ao chão. por que não vai para os lados, para cima? Seguramente a razão é que a Terra a atrai. Deve existir um poder de atração na matéria”.

Este foi o insight para a sua assim conhecida Lei da Gravidade. Se ficou curioso, entre no site da Royal Society, clicando aqui. Depois localize: Launch Turning the Pages 2.0 e tente baixar a versão 3D. Caso não consiga, o site lhe dá outras opções. Se ler bem em inglês, vá até a página 42: After dinner, the weather being warm, we went into the garden and drank tea under the shadow of apple trees… Não entendi perfeitamente o inglês arcaico e já um tanto apagado, mas é mais ou menos isso. Veja que demais!!! Estes recursos da tecnologia atual são mesmo impressionantes! Acredito que em nenhuma outra época se teve a percepção de uma evolução tão fantástica do conhecimento!!!!

Um comentário curioso incluído no artigo foi a respeito da adoção por uma Universidade da Califórnia de um sistema de sinalização em todos os restaurantes, cafés e máquinas de comida espalhados pelo campus. Com o propósito de orientar estudantes, professores e visitantes, a “logo” de uma maçã passou a ser utilizada para indicar o quanto uma escolha alimentar é saudável. Uma comida pode receber de zero a três maçãs, naturalmente indicando que, quanto maior o número, melhor.

Agora sobre a maçã mesmo. Naturalmente não é “do nada” que surgiu o ditado “An apple a day keeps the doctor away” que nos assegura uma boa saúde se comermos uma maçã por dia. Acredito que seja pelo ácido málico, do qual a maçã é uma das fontes mais importantes, recomendado para o detox do fígado e vesícula biliar, mas provável que nem se pensava nisso quando surgiu o ditado… Deve ter sido fruto de observação mesmo!

A maçã, particularmente, é muito rica em fibras (pectina) e fitoquímicos (quercetina, catequina, ácido clorogênico e floridzina) que atuam ainda reduzindo processos inflamatórios, protegendo contra a oxidação lipídica, reduzindo os níveis plasmáticos do colesterol e melhorando a resposta imune. Com relação à ação anticancerígena, destaca-se a proteção contra o câncer de pulmão. Comparada a mais de uma dezena de frutas comumente consumidas, a maçã possui a terceira maior capacidade antiproliferativa, perdendo apenas para o cranberry e o limão. Além do mais, parece que o efeito antiproliferativo da casca, isoladamente, é até superior ao da maçã inteira. O problema da casca é o maior risco de exposição aos agrotóxicos. Por isso, prefira sempre as maçãs orgânicas, quando disponíveis.

Finalmente, chegamos à era do videophone. Lançado no dia 7 de junho deste ano em São Francisco (Califórnia – EUA), o novo celular da Apple – o iPhone 4 – permite-nos falar ao telefone enquanto vemos o interlocutor, assim como podemos, ao mesmo tempo, ser vistos por eles. Na realidade, a ideia não é nova: o filme Metropolis, de 1927, já apresentava um protótipo de videophone, enquanto no mesmo ano uma empresa americana – AT&T – realizou a primeira ligação com um aparelho similar ainda de “mão única”. No entanto, um aparelhinho portátil como este iPhone 4 é realmente novidade: início de uma nova era, em que a maçã continua sendo tão saudável como sempre ao longo de todos estes anos de vida em nosso planeta. Valorize-a!

Referência: Revista Bio Nutrição e Saúde, publicação destinada a Profissionais da Saúde – ano 4, número 11 – abril 2010 – São Paulo; páginas 26 a 30

 

Dra Isabela David

Médica nutróloga com Título de Especialista em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB)