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Após a conclusão do Projeto Genoma Humano, em 2003, passamos a entender que é possível envelhecer sem ficar velho. Em outras palavras, que o processo de deterioração progressivo que estava implícito na definição de envelhecimento na realidade não precisa ocorrer.

À medida que o conhecimento foi evoluindo, foi se constituindo a Engenharia Aplicada ao Tempo de Vida Saudável (em inglês, Applied Healthspan Engineering ou AHE), como descrita num artigo publicado no periódico Rejuvenation Research, em 2010, por James Larrick and Andrew Mendelsohn. Ela utiliza de meios comportamentais, farmacológicos, biomecânicos e regenerativos para maximizar a reserva fisiológica e o bem-estar do indivíduo à medida que a idade cronológica avança.

A ideia é tornar a Curva do Tempo de Vida Saudável mais quadrada (em inglês, squaring the Healthspan Curve). Veja bem: nascemos e atingimos um pico de saúde, vitalidade e vigor por volta de 25-30 anos de idade, a partir do qual, acreditávamos, todos estaríamos sujeitos a iniciar um processo de deterioração progressiva até a morte. A AHE propõe atuarmos objetivamente para manter ou restaurar nossas reservas funcionais e manter a saúde ótima (optimal health ou 75 a 100% da capacidade funcional máxima), de modo que o declínio passe a ocorrer de forma mais abrupta, mais perto da morte. Importante que a reserva funcional mantém uma correlação direta com o bem estar! Não é nada que você tem que simplesmente acreditar. Apenas perceber!

Só foi possível conceber esta proposta a partir do momento que passamos a entender que o envelhecimento é, na realidade, acúmulo de dano molecular com o tempo. Se é acúmulo, é algo que começa de pouco e vai aumentando. E se passamos a identificar este dano, o que podemos fazer? Interferir sobre ele, reduzindo-o. Assim, hoje está mais do que claro que podemos deter, retardar e, em alguns casos, até reverter o processo de envelhecimento. Veja o caso do Sr. Idemar, um paciente com Esclerose Lateral Amiotrófica!

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Inseri a AHE no meu trabalho como nutróloga com uma proposta bem definida de Gestão do Envelhecimento. Tudo sem radicalismos, sem promessas irreais, cientes de que, de conquista a conquista, poderemos envelhecer com melhor qualidade de vida.

Importante: nada de controvérsias, nada de sensacionalismo. Além disso, saiba que não apenas cuidados nutrológicos estão relacionados à AHE.

Observe que isso tudo já está em andamento. Estamos vendo muitas pessoas com a aparência jovem para a idade, idosos ganhando massa magra (ao contrário da prevista “sarcopenia do idoso”) e pessoas que conseguem efetivamente rejuvenescer com alguns cuidados a mais no seu dia-a-dia, associando o uso de suplementos e a atividade física regular, sistemática: imprescindíveis! Enfim, o envelhecimento não é mais uma “sentença” inexorável,  associada a doenças e comorbidades, que precisamos simplesmente aceitar como “limitante”. Podemos atuar para manter a saúde ótima: a proposta da Medicina Genômica, a Medicina do Século XXI.

  • Não existe uma Sociedade da Engenharia Aplicada ao Tempo de Vida Saudável. AHE, sob o meu ponto de vista, veio descrever este “novo olhar sobre o processo de envelhecimento”, inclusive, título da minha palestra atual. Aqui no Brasil, hoje (27 de julho de 2016), eu sou a única pessoa que divulga este termo, que veio “dar um nome” ao trabalho que estou desenvolvendo com prevenção há mais 13 anos. Ele foi inicialmente desenvolvido no Panaroma Research Institute e Regenerative Sciences Institute, no Vale do Sol, na Califórnia.